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Reprodução Assistida

Reprodu??o assistida: aux?lio psicol?gico ? fundamental

16/09/2009 -

Recorrer a técnicas de reprodução assistida para realizar o sonho de ser mãe pode mexer com as emoções da mulher muito mais do que se imagina. O abalo ao se descobrir infértil e o grau de estresse são tão grandes que, segundo pesquisas recentes, podem ser comparados ao de portadores de aids ou câncer. Por causa disso, o apoio psicológico se faz indispensável para preservar o bem-estar do casal e prepará-lo para o resultado, seja ele qual for. Médicos e psicólogos dão conselhos valiosos para acalmar os ânimos nessa fase conturbada e manter o equilíbrio

1 - Evite a pergunta "de quem é a culpa?"

Segundo Hilton Pereira Cardim, professor adjunto da Universidade Estadual de Maringá e diretor da Fertclinica, engana-se quem pensa que a infertilidade acomete apenas o sexo feminino. "Dos 15% das pessoas que sofrem para ter um filho, 40% são mulheres, 30% homens e, em cerca 30% dos casos, o problema vem de ambos os lados", diz. "Ou seja, o número de homens e mulheres inférteis é praticamente o mesmo." Independentemente do motivo, é importante que o casal não inicie acusações do tipo "de quem é a culpa?" porque, além de abalar a relação, esse conflito prejudica o tratamento. "A falta de compreensão de ambas as partes pode gerar muitas brigas no casamento. É essencial que os parceiros permaneçam em equilíbrio para que o auxílio médico surta efeito", orienta o especialista.

A ânsia por engravidar leva as mulheres a monitorar o período de ovulação e até mesmo a programar as relações, atrapalhando a sexualidade do casal. Soma-se a isso a diferença de comportamento entre os parceiros - enquanto eles têm uma atitude aparentemente passiva, elas costumam ficar irritadiças e ansiosas. "Muitas vezes, o homem adota uma postura mais calma para tentar passar tranquilidade e proteger a companheira. O problema é que isso pode deixar a parceira nervosa. Ela enxerga essa atitude como um comportamento de quem não está nem aí", observa Cardim. Já para seu colega Gilberto da Costa Freitas, da equipe do Pérola Byington, a crise matrimonial denuncia ainda outros erros. "Quando o relacionamento está desgastado, percebemos que a tentativa de conceber um filho serve apenas como uma estratégia para resgatar a harmonia perdida e, aí, o fracasso é certo", alerta

2 - Fuja do pensamento do "por que justo eu?"

Imagine a frustração de quem busca engravidar repetidas vezes sem sucesso. Quando as tentativas ultrapassam o período de um ano - prazo que, de acordo com critérios da Organização Mundial da Saúde, um casal já pode ser considerado infértil -, é preciso recorrer à ajuda especializada. "Essa mulher atravessa uma fase muito delicada após tentar realizar o sonho de ser mãe durante um ou dois anos sem êxito. Além de ansiosa, ela passa, a partir do início do tratamento, a fazer uso de uma série de hormônios, que podem deixá-la à beira de um ataque de nervos", explica Marcio Coslovsky, diretor médico da clínica Huntingtom Medicina Reprodutiva, no Rio de Janeiro. Durante esse período, é comum que a candidata à mamãe chore por qualquer bobagem e sinta-se triste, ansiosa e irritada - em outras palavras, parece uma TPM sem fim.

"Quando a ala feminina descobre que não pode ter filhos, é um choque muito grande e o primeiro pensamento é: "Por que justo eu?", conta Freitas. Nessa fase de questionamento, a busca por apoio, sobretudo psicológico, faz toda a diferença. "Um psicólogo, por exemplo, irá se preocupar em conhecer a trajetória do casal desde a descoberta da infertilidade até o momento em que decidiu procurar ajuda e avaliar o nível de estresse de ambos", explica Katia Maria Straube, psicóloga especializada em reprodução assistida, de Curitiba. Com esse tipo de suporte, pouco a pouco a ansiedade e o nervosismo dão lugar à compreensão e a futura mãe aceita, finalmente, que o tratamento é menos assustador do que parece.

3 - Tenha em mente que o tratamento pode não funcionar nas primeiras tentativas

Apesar de cerca de 70% dos casais que se submetem as técnicas de reprodução assistida realizarem o sonho de conceber um bebê logo no começo do tratamento, é preciso se preparar para um possível fracasso. De acordo com a Sociedade Europeia de Reprodução Humana, metade dos pacientes desiste se o resultado positivo demora a chegar. "Quando a gravidez ainda parece um sonho distante mesmo depois de várias tentativas, é difícil manter a calma. Mas o importante é não se deixar abalar", afirma Coslovsky. A crise no casamento gerada por esse desgaste emocional e a pressão social por filhos só tendem a piorar o quadro de ansiedade e estresse. "Nessas horas, a vontade de jogar tudo para o alto e desistir é grande, mas, com o auxílio de um profissional, é mais fácil se reerguer e tentar outra vez", afirma Cardim.

4 - Esteja preparada para a possibilidade de uma gravidez de múltiplos

A chance de ocorrer uma gestação de múltiplos também não deve ser descartada, lembra Kátia. "Atualmente, muitas pessoas já sonham com a chegada de gêmeos, mas isso acaba sendo uma surpresa para a maioria dos casais, que planejaram com todo o cuidado a chegada do primeiro bebê", diz a psicóloga. "O importante é ter a consciência de que sempre há essa probabilidade." A preocupação com a gravidez de gêmeos ou trigêmeos é ainda maior quando se leva em conta o fator econômico. "Uma novidade como essa pode causar tanto danos emocionais como financeiros. O casal precisa estar preparado para refazer todos os seus planos e receber a notícia de braços abertos", orienta Freitas.

5 - Poupe para gastar mais do que imaginava

Além das técnicas de reprodução serem caras, é preciso ter sempre em mente que o investimento pode se estender mais do que o imaginado. "Muitas vezes, a mulher terá que tentar outras vezes e gastar não só mais tempo como também mais dinheiro", lembra Kátia. Porém esse fator não anula o desgaste físico e emocional como o primeiro motivo para abrir mão de ter um filho. Mesmo na Europa, onde clínicas socializadas oferecem até seis tratamentos de fertilização totalmente gratuitos, metade dos casais, em média, desiste após o segundo ou terceiro resultado negativo.

6 - Divida os problemas com o parceiro e reduza, assim, seu estresse

As pessoas são preparadas, desde a infância, para um dia desempenharem o papel de pais. No caso feminino, essa cobrança é ainda maior. "A mulher cresce com o pensamento de que um dia será mãe. Imagine o trauma causado se ela se descobre infértil. É uma crise tremenda", diz Cardim. Segundo pesquisas recentes, a paciente que sofre de infertilidade pode chegar a um grau de estresse comparável ao de portadoras de aids ou câncer. Sentimentos de culpa, fracasso, ansiedade, depressão, irritabilidade e frustração são bastante comuns nessa fase. "A mulher geralmente consegue realizar tudo: se quer passar na faculdade, estuda. Se quer um emprego, batalha. E, se gosta de alguém, conquista. Já a gravidez, por mais que seja desejada, parece estar fora de seu controle", compara Cardim.

A melhor maneira de não transformar esse período em um pesadelo é enxergar além do problema e trabalhar para que a maternidade não seja o único foco na vida do casal. "Costumo dizer às minhas pacientes que a vida não se resume ao útero e ao ovário. Os dois precisam dar valor ao relacionamento, à família e aos amigos", aconselha Cardim. Apesar de apenas 10% das causas de infertilidade não estarem relacionadas a problemas físicos, a questão emocional deve ser tratada com muita atenção. "Ainda não sabemos as razões por trás desses casos específicos e o quanto o lado psicológico afeta o resultado, mas é certo que, quanto mais o casal dividir seus problemas com um especialista e receber a orientação devida, maiores são as chances de um tratamento bem-sucedido", afirma Freitas.

7 - Compartilhe as frustrações por meio de terapias convencionais ou alternativas, como a ioga e a dança

O ideal é que todos os casais em tratamento busquem apoio psicológico, mas há situações em que o desgaste emocional pode ser ainda maior, como nos pacientes submetidos a terapias que exigem a recepção de óvulos e embriões ou barrigas de aluguel. "A assistência psicológica também é útil quando um dos parceiros sofre algum tipo de depressão ou tem um histórico de distúrbios psiquiátricos. Mães solteiras e homossexuais também merecem ser acompanhadas de perto", lembra Freitas. Muitas clínicas também oferecem terapias alternativas, como acupuntura, dança e ioga, para complementar o tratamento. "O fundamental, acima de tudo, é que o casal se sinta à vontade para compartilhar suas emoções e frustrações e aprenda a compreender as etapas do processo, sem expectativas fantasiosas", diz Kátia.

8 - Deu certo... Mesmo assim, continue a buscar

"Os três meses após a descoberta da gravidez ainda são delicados porque o risco de aborto é maior, já que a gravidez não está 100% consolidada", lembra Kátia. Mesmo depois desse período, é interessante que a mulher continue sendo acompanhada para aprender a lidar com questões que, até então, haviam ficado em segundo plano. "Um psicólogo pode orientar o casal sobre como contar à criança a respeito da forma como foi concebida", exemplifica a especialista. Se possível, o acompanhamento deve ser permanente. Assim, pai e mãe estarão habilitados a trabalhar seus conflitos e, juntos, conseguirão criar e educar esse filho tão aguardado.

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